Não precisa retirar a venda, a não ser que a deixe sobre os meus olhos para que eu não te veja partir.
A memória tatuada no céu da tua boca e teu sabor impregnado na minha língua são os souvenires que destino nos permitiu ao cruzar nossos caminhos letrados em morse.
À tua estrela cintilante, minha carne nua palpita, no vinho imagina, no sonho deseja, nas palavras deleita-se; inquieta-se na ausência, adicta, vulnerável, frágil, desdenhosa.
Tua palavra é fogo na minha pele de papel.
E ela anseia por arder sua marca em brasa.
Seus olhos em fúria, sua mente presente, temendo o futuro. Teu nome nos meus lábios suicidas.
Já não é tarde para ir embora, embora cedo demais. Tenho cantos, não tenho cordas.
Temo e desejo, afasto e retomo a fantasia de você na minha escama. Depois de atracar – não antes – desatar os nós da nau e voltar ao oceano.
Sempre soube que teu lugar é mar afora.
