Pelos coqueiros os sonhos se enlaçam,
são almas que flutuam e não se afastam
Do cais aos olhos do carcará tudo é chama,
o sol é brasa, a noite clama
Na maré que dança entre céu e chão,
os barcos dormem no abraço do verão.
O vento leva os segredos da areia,
E as histórias perdidas numa lua cheia
Teu cheiro é brisa, calor embriagado,
amor, seu perfume não é apagado nem pelo Diabo
Na pele, na alma, teu toque resiste,
como ingênua flor que nunca desiste
Eu procurei esse amor a vida inteira
E a jangada levada pelo vento
Jogou na vela o tempo que era de se apaixonar
Navega na alma perdida que se equilibra na beira
e leva embora o amor pra não magoar
Nos sargaços profundos, o mistério repousa,
correntezas de vida, tão incerta, tão raposa
Teu silêncio elege um tempo que não tem fim,
sou concha vazia sempre à deriva em mim
E nesse tal silêncio é que teu riso murmura,
é som que acende a vida tão pura
Teu olhar, um farol, meu destino revela
sou barco que segue, perdido em tua vela
E as cores que vêm do horizonte aberto
pintam o mundo num tom mais desperto.
Onde o rio encontra o mar, tudo é passagem
Está no fim o teu tempo, sussurra a paisagem
O amor é forte mas nem sempre cura
