Depois que se aprende o que é saudade, nunca mais se deixa de sentir
Há que se construir da lembrança uma casa
De paredes que reverberam o som como se estalassem o seu gosto na língua
Janelas feitas de sal, posto que um abrigo desses sem longas paragens,
como o mar que não se possui como um todo
Feito a vista de ontem que já não é a de hoje
Resta a beleza das diferenças
que, mesmo belas, afogam-se na vontade de abraçar algo familiar que escorreu por entre os dedos
É súbita, a existência
É frágil ventar morno no rosto
Nada se perde com preparo
A última vez acontece sem anúncio ou já havia sido
