não sei mais se esse querer

é teu, meu, nosso ou de ninguém

talvez ele exista sozinho,

andando pela casa de madrugada,

esbarrando nas paredes do meu corpo

pois, onde queres silêncio, sou os gritos

e onde queres colo, sou o vazio

onde pedes inteiro, sou metade

e onde esperas paz, não esqueço a guerra

onde queres respostas, sou perguntas

e onde queres tesão, sou um vulcão 

onde queres milagres, sou feitiço

e onde queres magia , sou real

mesmo assim,

(meu deus)

eu quero

quero como se fosse a cura 

que já sei, é vício

quero como o amor

mas é necessidade

quero porque é fundo

porque dói

e entendo de doer

onde mora o querer?

em que parte da gente ele se esconde?

nos ossos?

num canto entre a urgência e o cansaço?

talvez more numa luz acesa

na casa errada

e ainda “te quiero”

porque às vezes o querer

é só o nome que damos

ao buraco da existência


Deixe um comentário

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora