das vezes que não reconheci que meu cansaço e meu caos eram minha fome de ser eu mesma
das vezes que queria plateia e não ouvi que minha casa inteira me aplaudia dançando sozinha na sala
das vezes que olhei pras minhas cicatrizes tortas e desejei ter sido lisa, sem história, sem dor
das vezes que não sentei comigo num café pra dizer: ei, você é maravilhosa, sabia?
das vezes que me encolhi pra caber em espaços pequenos, esquecendo que nasci pra ser grande, mesmo quando incomoda
das vezes que ri baixinho pra não parecer escandalosa demais, intensa demais, viva demais
Das vezes que engoli minha raiva como se ela não fosse também o amor tentando acenar pra mim
das vezes que me repreendi por acolher quem não me ofereceu colo
porque sempre enxergo fundo, e quem passa por mim leva um pedaço meu de milagre
das vezes que me apaguei por medo de não brilhar certo
das vezes que fui liberdade e me chamei de exagero
das vezes que não entendi que amar a mim mesma não era vaidade, sempre foi questão de vida ou morte
