(Inspirado na pintura Summer Evening 1947 de Edward Hopper)

ele fala

fala como se as suas palavras 

ainda tivessem morada em mim

estou aqui

sem saber se fico,

ou se finjo que fico

pra ir embora devagar

ele tenta remendar o que fez

com o que diz 

mas o que me feriu

não foi só o que aconteceu,

foi o modo como ele achou

que eu aguentaria calada

ele me olha como se me conhecesse

mas quem me conhece

sabe que o silêncio é o som da minha arma,

não minha entrega

a luz da varanda desenha sombras

que ele não vê

do mesmo jeito que não me enxerga 

quero acreditar,

porque parte de mim ainda dança

quando ouço meu nome em sua boca

mas a outra parte aprendeu a escutar o que não foi dito

se ele me ama,

por que antes, quando doeu,

ele não se importou com o barulho do meu choro?

fico aqui parada

não por ele

por mim

enquanto decido se minha dúvida é a minha intuição me pedindo pra correr

ele fala

e eu…

eu ouço

talvez pela última vez


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