acordei com teu nome colado no teto

escorrendo parede abaixo até o meu assoalho pélvico

o calendário mente,

diz que é segunda

mas meu corpo jura que ainda é aquele domingo

quando você disse meu nome com os olhos

e depois ficou em silêncio quando devia ter me pedido pra ficar

seria bom  te ligar

só pra ouvir tua respiração do outro lado,

só pra perguntar se tua ausência também te pesa

esperar é o verbo mais triste 

mas também é o mais fiel

queria que o tempo fosse uma criança

dizendo que ontem é quando a gente foi feliz

e amanhã é  quando a gente vai ser de novo

quando eu te ligar, vou perguntar se hoje já pode ser amanhã 

Mas crescer tem dessas coisas de doer com mais precisão 

visto tua ausência com o cuidado de um vestido de renda

porque dói,

mas é bonito

porque meu hoje tem tanto ontem… e

meu amanhã tem sempre você


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