vejo daqui

o que não cabe no vidro

um lençol tremendo de ausência;

uma pessoa dançando com a vassoura;

as migalhas do vento

e um pássaro que não volta

o sol se despede lento

entre rendas de nuvem e poeira

tingindo o silêncio do céu

com a cor do último aceno

encosto na madeira fria

e deixo que a luz me atravesse

até virar sombra

fecho a janela devagar

para não assustar o adeus


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