não nasci para caber
na palma de tua mão
mas coube, macia e intrusa
fui ficando ali, quieta
esperando o toque, o afago
ou até o descuido
paralisei feito ornamento
fora de qualquer vista,
que procuras quando o silêncio te insulta
ou quando a solidão ameaça tuas costelas
deitei-me inteira no teu colo
esperei que me vivesse com cuidado
e acabei caindo no canto da tua estante
ao lado de medalhas por outras vitórias
sou breve,
se compreendesse,
me doava
sem poeira
