a solidão é uma sala inundada
os móveis flutuam como cadáveres, leves leves
há um rumor de gaivotas presas no estômago
um corte fino atravessando a língua
não é só a ausência
é o eco
um vidro em estilhaços repetindo meu nome
reverberando nos meus ossos
a solidão me penteia os cabelos
com pente enferrujado
o corpo é um cais
onde não chega barco algum
meu próprio rosto esquecido no espelho.
