naquele dia o mundo acabou
ninguém para dizer que a saia é curta
ninguém para explicar a maçã
ninguém para chamar de histérica, vadia, frágil, santa
sentei no banco do presidente
abri livros proibidos
às vezes penso que devia chorar
não choro
às vezes penso que devia sentir falta
não sinto
a terra inteira girando
sem nenhum pecado
sentei de pernas abertas na praça
fumei o último cigarro de alguém
o maço dizia marlboro
não sei se gosto
no meio de um silêncio enorme
respirar sem medo do anoitecer
escrevi no chão com giz: sobrou eu
ninguém para corrigir a grafia
