Te encontro no fim da espera.
Essa que durará o quanto for necessário para findar-se onde nossos corpos abraseados tornem-se a mais pura combustão.
Não existe se, senão quando. Nem dúvida, senão onde.
Um dia, esse único momento é o que definirá todos os segundos depois dele.
Dentro de cada segundo quantas horas cabem da minha boca na sua?
Se as palavras são meu sacerdócio, que profetizem o fluxo dessa Atlântida que escorre em vão, em direção ao seu mergulho.
Que o meu canto lhe alcance aonde estiver e lhe guie pelas agitadas marés do meu amor, essas águas regidas pela Lua e embaladas pelo coro das estrelas que cintilam sobre nós.
Tal qual o vilarejo de pedras e madrepérolas é minha morada, a sua está em cada curva do meu corpo.
Pois sou tua sereia, e esse é teu mar.
