Quem nunca caiu do penhasco achando que iria voar?
Quem nunca sentiu que o peito iria rasgar se não voasse?
A paixão te dá asas, não é o energético da lata azul. Mas as asas são de Ícaro. E não adianta você achar que vai voar abaixo do sol porque é lá mesmo que a sua paixão está. Não tem guarda-sol que te cubra; com certeza tu nem lembrou do para-quedas.
Ferrou. Pode começar a rezar pra nossa senhora das borboletas do estômago. Lembre-se porém que vida das coloridinhas é bem curta. Não irão te sustentar por muito tempo.
Eu sei, é inevitável sentir que o cheiro das flores está mais fresquinho, que as cores das roupas estão mais coloridas, as formas das nuvens te lembram dele, as poesias são todas dele, as músicas então, melhor nem ligar o Spotify, o Deezer, o rádio…
Eu sei. O bom de amar é amar. E o mal de amar é apaixonar.
Eu sei. Apaixonar vicia. O mal do vício é que ele não sustenta. Ele consome.
Atire a segunda concha quem não pagaria com o próprio sangue pra viver tudo isso. Só pra sentir ele pulsar, rasgar as veias e arder vermelho pra fora da pele. É a vida viva.
Eu sei. Vai doer.
As asas derretem.
O sangue drena.
Tudo fica cinza.
Insosso.
Não há nada que quebre mais do que um coração.
