Há um lugar para onde vou para perder a noção do tempo.
Onde ninguém me conhece.
Onde é preciso ir.
Não é solitário, é necessário.
Para contar as estrelas
Para lembrar do que sou feita e como flui o meu sangue.
Não é calmo.
Não deixa de ser um jogo, que às vezes, eu sei jogar.
Se eu me perder, perco tudo.
É o desejo, o dealer, e manipula os tolos.
O mundo é o pote e vai partir seu coração.
Lembro-me apenas de ter tido um medo, o de não me apaixonar, de ser uma cimitarra cega, de ser o gelo que me acusavam de ser. Que medo absurdo!
Paguei pra ver.
É um jogo doentio e joguei all in.
Então meu mundo está em chamas.
Não sei o que fazer para me salvar.
Estou tão acostumada a sempre ter razão. Estou cansada de como as coisas têm sido.
Meu mundo me paga em notas de dor, meus sentimentos que morram afogados,
Antes morressem. Porém, sou mestra do meu barco, o mar é minha casa, meus sentimentos, antes de nascerem, já sabiam nadar.
Meu mundo ainda está em chamas.
Eu ficarei acordada a noite inteira se for preciso, pros meus olhos não fecharem. Andarei sobre as brasas. Serei, depois, o que restar.
São as flores o meu lugar.
