Ele já esperava por mim. Claro que sorri olhando pros seus olhos, mas quando o imenso sorriso dele brilhou, olhei pra baixo, com as bochechas vermelhas, mas estiquei os braços, afinal, lhe devia um abraço.
Um abraço apertado e um rodopio. Seu olhar antecedeu, por dois segundos, um beijo molhado, cheio de vontade, que eu retribuí com cinco tipos de medo e ansiedade. Suas mãos – uma na minha cintura e outra na minha nuca – me diziam saber o que estava fazendo, e que ele estava no controle, pois não haveria para onde fugir.
Ele me desejava.
Cheirou meu pescoço e, logo depois, passou os dentes atrás da minha orelha, provocando arrepios visíveis em todo o meu lado esquerdo do corpo.
Seus lábios macios e quentes traçaram a curva das minhas omoplatas. Meus pulmões ameaçavam com a falta de oxigênio… – era preciso lembrar de respirar.
Levei suas mãos ao zíper contínuo do meu vestido preto, e elas souberam direitinho o que fazer. Enquanto abaixavam-no, ele traçou o mesmo caminho com a língua. Eu só me sentia derreter…
O vestido foi ao chão. Os olhos dele estudaram brevemente meu corpo, ainda vestido na lingerie que combinava com a cor do vestido, mas logo se voltaram para os meus olhos.
Ele deve ter entendido que meus olhos disseram para não se demorar nesse estudo. Eu o queria, queria sentir sua pele, seu cheiro, seu toque. Seus batimentos cardíacos estariam tão descompassados quanto o meu?
Dei um passo a frente e ele terminou o caminho até meus lábios. Segurei-lhe apertado, enquanto o beijava com urgência. Tentei desabotoar os botões da camisa dele, mas apenas dois foram abertos antes que ele iniciasse uma descida de três dias com sua boca explorando meus seios, minhas costelas, meu abdômen, a linha do meu ventre…
Devia ter me tocado com os dedos antes de surpreender sua língua com minha excitação latente, assim saberia que o ambiente completamente glabro já estava bem mais do que orvalhado. Sua língua percorreu a umidade agridoce desde a abertura sedenta pelo seu preenchimento até o botão do meu clitóris, onde circulou lentamente, me levando ao desespero. Meus olhos queriam vê-lo, mas não suportavam ficar abertos – eu precisava conter meu gozo fácil e prolongar aquela sensação maravilhosa.
Não ia aguentar. Puxei-lhe para um beijo e fui mais ágil com meus dedos em sua roupa. Aproveitei para beijar o seu pescoço, tórax, abdômen, enquanto baixava sua calça, deixando-o nu. Respirei fundo o cheiro da sua pele em torno dos ossos do quadril, enquanto segurava suas pernas com força.
Toquei-o com uma das mãos, que o segurava de leve enquanto traçava delicados círculos com a ponta da língua na glande que pulsava em resposta. Meus lábios acolheram com suavidade o restante de seu volume, mas com uma sucção forte na subida, enquanto mantinha meu olhar nos olhos dele. Uma mão brincava de segurar os testículos, enquanto a outra movimentava-se para cima e para baixo acompanhando os movimentos da minha boca. Como eu gosto disso! Parece que ele também.
No entanto, levantou-se, segurando meus braços e me girando para que eu ficasse de costas pra ele, colocando-me contra a parede. Passeou as mãos sobre as curvas da minha cintura e apertou-me a bunda, desferindo-na um tapa ardido. É claro que eu ri. Eu adorei.
Ficamos de frente um para o outro, beijando como nos sonhos que ousei sonhar, noite após noite. Saltei lançando minhas pernas em torno da sua cintura (Não caia! A não ser na cama…). Na cama, ele terminou de tirar minha calcinha (nem percebi que estava de calcinha… aliás, havia chão? Teto? Ele era tudo pra mim ali, nada mais existia ou precisava existir.
Esperou que eu dissesse algo como “me possua”, mas não é meu estilo… a vontade era dizer “me fode!”, o que, com certeza, também não é meu melhor jeito de dizer o que ele ouviu: − Quero você dentro de mim, agora!
Quando ele avançou eu passei minha perna por cima do seu pescoço, segurando suas costas no colchão. Me encaixei devagar, os joelhos tensos para ceder – mas não há sensação como a primeira adaptação do meu corpo ao corpo dele me invadindo. Tentei subir e descer devagar, olhando naqueles olhos incríveis que me olhavam de volta e ora se fechavam como se respondessem que eu lhes agradava. Mas meu corpo ansiava pela selvageria do sexo com mordidas e arranhões e todas as marcas que não pretendia deixar naquele corpo, porque ele não é meu. Ainda assim, naquele instante, eu o queria só pra mim e cavalguei em transe, com o corpo ereto, os seios apontando pro horizonte e meus quadris em um movimento contínuo e intenso.
Não podia mais aguentar. Curvei-me sobre seus lábios, mal tirando meus cabelos do caminho. Já não continha meus gemidos de prazer, e gemi alto, na intensidade do gozo que explodia dentro de mim e encharcava aquele pau delicioso, que já era meu brinquedo favorito no mundo.
