Todos estavam de branco. Ela usava um vestido de cetim com um biquíni por baixo, branco também, de amarrar. O vestido grudava na pele, deixando a sensação agradável de um abraço diante da maresia que arrepiava.

 

Sua amiga estava radiante pela noite de autógrafos do seu primeiro romance, e estavam na festa posterior ao lançamento. Ela compartilhava de sua alegria, mas sentia-se desenturmada, o que acabou desviando sua atenção para uma passagem em uma das rochas que adentravam o mar, como se fossem um túnel. 

Deixou o vestido na areia e entrou na água, que era morna e refletia as lanternas japonesas postas em estacas na areia. Não havia ondas, apenas as ondulações leves e espaçadas de algumas marolas.

Aventurou-se transpondo o túnel, que era breve. A passagem abria-se para outra enseada, bem menor e totalmente escura. Por alguns minutos, perdeu-se em pensamentos e então, foi surpreendida pela amiga, que se aproximou por suas costas, tocando-lhe as pernas num mergulho.

 

– Luiza! Quer me matar?

– Eu não, mas você é bem corajosa de vir aqui sozinha.

– Também sou bem corajosa pra te dar um caldo agora!

 

Partiu para cima de Luiza, puxando o laço do biquíni dela, que se soltou por inteiro. Rindo, segurou as peças íntimas  da amiga acima d’água. Iniciaram um luta aonde Luiza avançou tentando alcançar seu biquíni de volta, depois mergulhou por baixo das pernas da amiga e grudou as dela na cintura, tocando os seios livres nas suas costas. O biquíni da amiga era todo de amarrar, tornando fácil a tarefa de puxar os laços também. As duas nuas – confessou a si mesma que ficou excitada com a brincadeira.

 

-Estamos nuas, sua maluca! Cochichou Luiza.

– Estamos, mas ninguém pode ver nada mesmo…

-Olhe, preciso voltar, você vem?

– Vá indo na frente, eu vou me vestir na praia e daqui a alguns minutos eu apareço, não se preocupe, só estou apreciando esse lugar.

– Ok. Não demore muito. Voltaremos pro hotel e continuaremos com um sarau, na fogueira.

 

Ela assentiu sem olhar para amiga, afastando-se em direção à praia, com intenção de recolocar o biquíni com mais facilidade.

 

Segundos depois, sentiu-se ser erguida do chão com duas mãos sob suas coxas. Estranhou não sentir os seios da amiga em suas costas, mas ela também não os tinha em abundância. Porém, a voz que lhe falou ao ouvido eriçou todos os seus pelos.

 

-Você está linda!

 

Quando ouviu aquele sotaque quase não pode acreditar! Quis se afastar, mas ficou presa pela tepidez da água e pelo contato da pele quente às costas. Ainda paralisada pelo choque e deixou-se abraçar, fechando os olhos.

 

Despertou-a do transe o que sentiu entre as pernas. Não era uma mão, havia um pênis ereto procurando abrigo naquele corpo. Gritou de súbito. Seu par tapou-lhe a boca para que não atraísse atenção da outra praia. Mas o grito não foi alto e lá as pessoas faziam barulho e cantavam.

 

Não era medo. Na verdade, o contato era tão quente e carinhoso quanto a água. O mar, o pênis e suas mãos estimulavam todo o seu corpo. 

 

-Desculpe, foi só o susto! 

Espirrou água nele e virou-se de frente, tentando fugir. – Meu Deus! Como você pode estar aqui? Pensei que fosse viajar, vi no seu Instagram… (continuou espirrando água, baixinho)

 

Mas ele lutou, mergulhou sob o corpo dela, segurou-lhe as pernas, mordeu a parte interna da coxa e montou suas costas novamente.

-Eu viajei… pra cá! Também vim para o evento.

 

Lutaram mais um pouco, mas cada movimento servia apenas para excitar ainda mais, para tornarem-se conscientes dos corpos nus e como eles se encaixavam. 

 

Ele beijou-lhe os seios e ela encaixou as pernas sobre os quadris dele, mas o movimento do mar não deixava que ele a penetrasse, e seu pênis tocava-a acintosamente na parte mais vulnerável do seu sexo, incendiando-a inteira.

 

Segurou o rosto dele com as mãos e o beijou até perder o fôlego.

– Venha me pegar! 

 

Ele a seguiu. Caíram na areia dura e fresca, onde pequeninas ondas quebravam-se em fofas espumas sobre eles, ainda na segurança visual que o rochedo proporcionava.

 

Os beijos eram insaciáveis e famintos, o pênis, ainda maior, a invadia e tomava a umidade e o calor que o acolhiam com a sede de quem bebe água do mar. Ele a possuiu com urgência, mas ela o montou depois, movendo-se sobre os seus quadris no ritmo do som das ondas que tocavam os dois, trêmulos, sôfregos e exaustos em razão dos orgasmos. Salgados e Saciados.


5 respostas a “O Sal e a Sede”

  1. Avatar de Anjo Pornográfico

    Hummmm… Amei a investida no novo estilo… E devo elogiar a riqueza da narrativa, me envolveu de primeira… Uma prévia do que lhe pedi recentemente?

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    1. Avatar de SereiaNotívaga

      Na verdade essa foi minha primeira tentativa de conto, escrevi entre 2015/2016, inspirada em um conto do livro Delta de Venus

      Curtido por 1 pessoa

      1. Avatar de Anjo Pornográfico

        Eu realmente gostei muito, tem vários aspectos que considero importante num conto que aparecem no seu, a narrativa está muito boa, sugestiva… Cria envolvimento, até chegar no momento especial. Eu espero que continue trazendo outros por aqui, talvez um que seja uma “continuação” do Anjo e a Sereia… 🙃

        Curtido por 1 pessoa

    2. Avatar de SereiaNotívaga

      Eu tinha a impressão de já ter postado, mas fui checar e não estava nos posts

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      1. Avatar de Anjo Pornográfico

        Eu gostei de seu olhar no conto, a forma que viu e descreveu… Foi muito bem sucedida, então, que venham outros.

        Curtido por 1 pessoa

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