Quando a luz beija as minhas pálpebras
parte de mim lambe o arrepio
mas a outra parte afaga a sombra e conversa com o vulto
Ainda que as pernas ensaiem correr em fuga
não se grita o verdadeiro medo
Ele escapa por entre os dentes em sussurros que cortam a língua
Quando a água do meu doce rio transborda,
parte de mim nada
Mas a outra alaga, devasta e afoga
Sangram também os cortes que não me cortaram
porque só os fortes choram por amor
Ainda que o escrever seja um feitiço hemostático
Fica a boca à espreita do frio beijo no cano da arma
Também o amor mata com suas perdas
