de todas as idades, nenhuma caberia em minha juventude insubmissa
ao corpo vão sendo impostas paciências
que a alma ignora e corre, e salta e sangra
visto todos os estilos
performo todo tipo de mulher
amiga, mãe, filha, amante, santa, bruxa, sereia
quero aprender todas as línguas,
beber todos os vinhos,
fingir todos os pecados
e rezar todas as rezas
o tempo cutuca severo
respondo um macio “não quero”
volte outro dia
ainda estou com fome de vidas –
de todas
a minha, a tua, a das pedras,
a dos peixes, das que ainda vou inventar
nem tão jovem,
mas como se cada manhã fosse
a primeira chance do mundo
ou a última
