olhas através de mim e torno-me

o vidro limpo de uma janela que dá para o nada

permaneço neste corpo que você conhece,

com esta voz que já chamou pelo seu nome até desgastar as vogais,

o seu olhar, no entanto, me atravessa sem o menor desvio de órbita

dói essa transparência,

faz frio de gelo ser irrelevante,

é uma forma lenta de morrer,

esta de estar sentada ao seu lado

enquanto você habita um mundo onde não caibo

dói de cair ser o eco de um grito que não ouves,

ser escolhida nunca da forma que preciso ser acolhida

ser a página de um livro que já lestes

e esqueceu sob a poeira

fere-me de rasgar a pele essa paz terrível com que me ignoras,

como se o meu amor fosse apenas um ruído de fundo,

uma chuva fina que cai lá fora

e que não molha mais a sua pele

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Cilene Resende

@seria.uma.sereia


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