uma fresta de prata tenta invadir
a guarda da madrugada
mas a neblina veste um véu de gelo
que cega a luz em sua jornada
sob os pés um som estalado
crocância que o passo cria
seca por cima, a folha canta
úmida por baixo em agonia
o aroma acre sobe do chão
onde a vida e a morte se abraçam
na putrefação de ramos e troncos
que o tempo e a terra esmagam
um caminho sem rastro ou fim
que a noite insiste em tecer
a solidão é o único hóspede
que o silêncio ousa receber
nada no horizonte exceto o vento que chora
pelo sol barrado no alto, derrotado antes da aurora
sobre a árvore morta sem fruto
deposito a solidão, o medo e o luto
